Tropicalisation / Triptyque
O termo tropicalização é utilizado para descrever o estado dos ocidentais que viveram nos trópicos e que sentem dificuldades em se readaptar ao seu país de origem.
Na arquitetura e no urbanismo, o termo tropicalização pode também designar um meio de intervenção que apareceu nas grandes regiões urbanas situadas entre as duas linhas imaginárias dos trópicos de Câncer e Capricórnio.
O termo tropicalização, até agora considerado como exótico, se impõe como um conceito dominante graças à importância que as cidades tropicais ganharam nas últimas décadas. A tropicalização se opõe aos novos paradigmas urbanos e arquitetônicos das metrópoles contemporâneas.
Conforme o praticante, a tropicalização pode consistir em:
desafiar os “abismos de artifícios” das metrópoles contemporâneas;
promover experiências de contemplação da paisagem;
favorecer os processos entrópicos e a corrupção dos materiais;
revelar a passagem do tempo e o envelhecimento;
favorecer a exuberância e o imoral;
não temer a hibridação e o estranho;
admitir a investigação do estranho como guia criativo e o limite entre o conhecido e o desconhecido como objeto de estudo;
preferir o selvagem ao tecnológico;
desconsiderar juízos de valores relacionados a “bom ou mau” gosto;
priorizar a experimentação e a improvisação;
considerar cada projeto como um ser vivo;
conceber os projetos mais como criaturas do que como criações;
intentar projetos autônomos, que sejam esquizos e estranhos aos seus próprios criadores.
Sob sua forma policiada e esvaziada:
envolver a arquitetura com vegetação;
tentar entender como voar sem poluir, em vez de se precipitar em levantar voo;
evocar o mito do primitivo no modo nostálgico.
Conhecidos nomes da tropicalização: Hélio Oiticica, Oswald de Andrade, Suely Rolnik, Roche & Sie, Lina Bo Bardi, Dominique Gonzalez-Foerster, Neri Oxman, Friedensreich Hundertwasser, Paul Virilio e Claude Parent.
Extraído do “Yearbook” da Escola de Arquitetura de Versalhes, Triptyque, 2011.

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